Há algo de errado acontecendo no mercado financeiro. Algo que desafia a lógica, ignora os fundamentos e está punindo um dos maiores gênios da história dos investimentos, Warren Buffett.
Desde 2023, a Berkshire Hathaway — o império de Warren Buffett — está perdendo feio para o índice S&P 500. Enquanto o índice das 500 maiores empresas americanas subiu vertiginosamente (acumulando mais de 76% de alta desde o fundo recente), a performance de Buffett ficou para trás.
Para o investidor desatento, a conclusão parece óbvia: “O velhinho perdeu a mão. O tempo dele passou.”
Mas, se você olhar para os bastidores, para os dados que a mídia convencional ignora, verá que Buffett não está “perdendo” por incompetência. Ele está perdendo por escolha.
Existe um fenômeno silencioso de trilhões de dólares distorcendo a Bolsa de Valores, criando uma realidade artificial onde o preço não importa. E Warren Buffett decidiu não jogar esse jogo.
Neste artigo, vamos revelar o mistério dos US$ 381 bilhões parados na conta da Berkshire e os dois “motores invisíveis” que estão inflando o mercado global — e o que isso significa para o seu dinheiro em 2026.O Sinal de Alerta: US$ 381 Bilhões em Caixa
Para entender a gravidade da situação, esqueça as opiniões e olhe para a carteira de Buffett.
Desde 2023, Warren Buffett vem operando com um padrão claro: Vender mais do que comprar.
Atualmente, a Berkshire Hathaway senta sobre uma montanha de caixa recorde de US$ 381 bilhões.
Pense nisso. Mais de 50% do portfólio de um dos maiores alocadores de capital da história não está investido em empresas produtivas. Está em cash (ou equivalentes, como T-Bills), rendendo a taxa básica de juros.
Por que ele está fora da festa?
Warren Buffett é um investidor fundamentalista. Ele olha para o preço de uma ação e o compara com o valor intrínseco da empresa.
A conclusão dele ao olhar para o S&P 500 hoje é simples e brutal: “Não vale o preço.”
Ele prefere “perder” para o índice no curto prazo do que pagar caro por ativos distorcidos. Mas o que está causando essa distorção? Por que as ações sobem se os fundamentos não justificam?
A resposta está em dois mecanismos que quebraram a lógica do mercado.
Motor Nº 1: A “Cegueira” dos Fundos Passivos
O mercado financeiro mudou. Décadas atrás, humanos decidiam o que comprar. Hoje, algoritmos e regras automáticas dominam através dos Fundos Passivos (ETFs e Fundos de Índice).
Este é o primeiro motor da distorção.
Imagine os gigantescos fundos de aposentadoria americanos (401k), que hoje somam cerca de US$ 13 trilhões. Todo mês, parte do salário dos trabalhadores americanos flui automaticamente para esses fundos. E esses fundos compram o S&P 500 sem fazer perguntas.
Eles não analisam se a Apple (que ainda é 20% da carteira de Warren Buffett) está cara ou barata. Eles simplesmente compram.
O Ciclo Vicioso da Alta Infinita
O mecanismo funciona como uma profecia autorrealizável:
- Dinheiro novo entra no fundo passivo.
- O fundo compra as ações com maior peso no índice (ex: Apple).
- A compra forçada faz o preço da Apple subir.
- Como o preço subiu, o peso da Apple no índice aumenta.
- Na próxima rodada, o fundo precisa comprar ainda mais Apple para ajustar o peso.
Isso cria uma “bolha de inércia”. Os preços sobem pelo simples fato de que há fluxo de compra obrigatório, ignorando completamente se a empresa vale aquilo. É uma alta irracional, e Warren Buffett sabe que isso não termina bem.
Motor Nº 2: O Tsunami de Liquidez Global (Capital Flow)
Se os fundos passivos são o veículo, a liquidez global é o combustível.
Muitos analistas olham apenas para o M2 (dinheiro impresso). Mas aqui na Targen, nós olhamos para o Fluxo Líquido de Capital Global — a soma de todo o dinheiro emitido pelo sistema bancário mundial.
Estamos falando de um oceano de US$ 188 Trilhões.
Ao analisar o gráfico histórico, a correlação é assustadora:
- 2017: Fluxo sobe -> Bitcoin e Bolsas explodem.
- 2018: Fluxo cai -> Mercados corrigem.
- 2020/2021: Injeção massiva -> Máximas históricas.
- 2022: Retirada de liquidez -> Mercado sangra.
Neste exato momento, em dezembro de 2025, estamos nos aproximando de uma nova máxima histórica de liquidez. Os bancos continuam emitindo crédito e moeda, e esse dinheiro precisa ir para algum lugar. Ele acaba fluindo para ativos de risco, inflando o S&P 500 e o Bitcoin, independentemente da economia real.
O Veredito: Quem vai rir por último? Warren Buffett?
Então, Warren Buffett está perdendo para o S&P 500. Isso é um fato. Mas ele está perdendo porque se recusa a dançar na beira do precipício.
A pergunta de um milhão de dólares é: Quando a música para?
Com o FED e a China sinalizando injeções de liquidez, é provável que esse fluxo continue sustentando o mercado durante 2026. A virada real do Fluxo Líquido de Capital — o momento em que a torneira fecha — tende a ocorrer entre o final de 2026 e 2027.
Além disso, temos a questão demográfica. Quando a pirâmide etária se inverter e houver mais gente sacando aposentadoria do que depositando, a pressão compradora dos fundos passivos se transformará em pressão vendedora.
A estratégia da Paciência
Warren Buffett não está tentando ganhar todos os meses. Ele está posicionado para ser o único com dinheiro na mão (US$ 381 bilhões) quando a liquidez secar e os preços voltarem à realidade.
Estar “errado” agora é o preço que ele paga para comprar barato depois.
Não opere no escuro
A lição que tiramos da postura defensiva da Berkshire Hathaway é clara: O mercado financeiro moderno é complexo.
Analisar apenas o Balanço Patrimonial (Fundamentalismo) não é mais suficiente. Analisar apenas Gráficos (Técnica) também não. Você precisa de uma visão holística que inclua:
- Macroeconomia: Para entender a liquidez dos bancos centrais.
- Fluxo (Quant): Para entender a distorção dos fundos passivos.
- Fundamentos: Para saber o que tem valor real.
Warren Buffett já fez a escolha dele. Ele escolheu a segurança. E você? Vai seguir a manada ou os dados?